sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Santa Maria...Renan de novo???





Em uma semana em que certamente todos os brasileiros sentiram a tragédia que tirou a vida de mais de 235 jovens no Rio Grande do Sul, outra notícia nos deixou ainda mais desacreditados sobre o nosso país. A volta de Renan Calheiros à presidência do Senado, fruto de uma construção política que se arrastou por dois anos, trouxe pra mim uma necessidade de refletir sobre uma determinada questão: Ainda podemos acreditar em dias melhores?

Todos nós sabemos e também somos culpados por sempre acreditarmos que com um “jeitinho” tudo será resolvido. Essa mentalidade nos leva a uma estagnação de consciência e de atitude. Quando o músico da banda gaúcha achou que poderia economizar com os fogos de artifício, comprando um mais barato, certamente só levou em consideração o seu bolso. Ele foi informado que aquele tipo não era apropriado para locais fechados, mas o danado do “jeitinho”, somado à falta de responsabilidade dos donos da boate, em vários aspectos que me levariam a escrever outro texto, provocaram esse dano irreparável.

Na política a coisa funciona da mesma forma. Para ter a tal da governabilidade, ou seja, a capacidade de governar e implementar um determinado projeto político, é preciso conseguir apoio de pessoas que, na grande maioria das vezes ,só querem tirar vantagem e não estão nem aí para partido, ideologia, ou compromisso com o povo. O “jeitinho” na política fere a democracia, um bem que conseguimos conquistar, mas que ainda não desfrutamos na sua plenitude. Democracia significa “governo do povo, para o povo e pelo povo”.

Renan Calheiros ocupava a mesma função para a qual acabou de ser eleito, quando foi acusado de uma série de denúncias e renunciou para não ser cassado. No entanto, mesmo diante de todo o cenário que poderia prejudicá-lo, conseguiu dar a volta por cima, mesmo com a ficha suja. O seu partido, o PMDB, mostra mais uma vez que tem força e é decisivo para que o PT possa tocar os seus projetos. Fatos como esse mostram o porquê da juventude se afastar da simples palavra “política”.

235 jovens gaúchos não poderão mais votar e contribuir com esse futuro melhor que sonhamos. Eles, assim como todos nós, apesar de termos o poder do voto, foram vítimas de um sistema onde, infelizmente, o pensamento de quase a totalidade dos nossos “representantes” e dos detentores do poder econômico é de se autobeneficiar e nada mais. Ainda acredito que há políticos honestos, mas eles não são capazes de fazer a mudança que verdadeiramente precisamos.

Acreditar em dias melhores é difícil, assumo. Deixar o “jeitinho” de lado é um passo importante para que possamos amadurecer enquanto cidadãos. Simples atitudes no trânsito, no supermercado, ou em qualquer lugar, fazem toda diferença. O respeito ao próximo e a luta por nossos direitos também são necessários para que consigamos viver em uma sociedade mais equilibrada, que amadureça e consiga superar todos esses percalços aos poucos. Precisamos de educação, de saúde, de oportunidades e de respeito às pessoas. Que o país da Copa possa refletir sobre os “Renans” que elegemos e sobre os jovens que perdemos por pura imprudência.

2 comentários:

Rocpáurio Santos disse...

Finalmente os orfãos do Politinia receberam atenção. Bom ler novamente esse texto, leve porém direto de Rodrigo Marques. Concordo com seu poto de vista e acho que enquanto olharmos só para o nossos interesses, o país não muda. Não adianta falar mal do engarrafamento, e ficar mudando de faixa toda vez que a fila do lado anda mais que a sua no transito. O brasileiro tem que se responsabilizar mais pelo que acontece no país.
Vida longa ao Politinia!!!

Rocpáurio Santos

Luciana Pacheco disse...

A Carta ao Leitor da VEJA dessa semana me deixou com um buraco no peito. Diante de tantos soluços em frente da TV, sofrendo junto com as mães de Santa Maria - RS lemos uma matéria (também a principal da revista) sobre negligência, desleixo, desapego às leis e normas de segurança e CORRUPÇÃO. A matéria continua com a frase "...Inúmeras tragédias brasileiras produziram promessas dos governantes e indignação na imprensa: 'Basta!', 'Chega!''Até quando?'. E quais foram os resultados práticos da indignação? NENHUM!"
O sofrimento continuará perpétuo por vários aspectos; os mortos não voltarão aos seus lares, não reviverão e a impunidade continuará assolando o nosso País e nossas vidas, em todos os segmentos: social, político, religioso, educacional, moral... A escola que aprova o aluno que não aprendeu porque o MEC exige números, o Pr. que exclui e coíbe, o trânsito que deflagra famílias com alcoólatras atrás de volantes, e políticos CORRUPTOS, fichas sujas se elegendo e "governando" DESCARADAMENTE o nosso país. Basta? Chega? Até quando? Indignar-se não traz resultados, não muda nenhuma situação. Precisamos agir, mobilizar nossos amigos, nossos estudantes, empresários, professores, líderes...precisamos mudar a cara desse povo. Pintar a cara, dizer não, eu não aceito. Os políticos ridicularizam nossa democracia, gritam para todo o mundo que temos o melhor método de voto de todos os tempos, ágil, moderno e justo, mas a prática é perversa, retrógrada e ineficaz...não se olha para o POVO, se olha para o BOLSO, não se trabalha pelo coletivo e sim pela legenda...BASTA!!!!! Será que teremos que parar de votar nos domingos de outubro em massa? Será que devemos cruzar os braços e deixar rolar? Vamos esperar mais cidadãos brasileiros morrer por negligência, desleixo, desapego as leis e CORRUPÇÃO? Eu estou morrendo... Luciana Pacheco